Hoje começamos por uma pergunta frequente entre os pais, sobretudo quando começam a surgir testes, trabalhos de casa, dificuldades numa disciplina ou resultados abaixo do esperado. “Quanto tempo deve uma criança estudar por dia?”
A preocupação é compreensível. Se estuda pouco, poderá não estar a preparar-se o suficiente. Se passa horas à secretária, será que está realmente a aprender ou apenas a acumular cansaço?
A resposta não está simplesmente no relógio. Duas crianças podem passar exatamente o mesmo tempo a estudar e obter resultados muito diferentes. A idade, o ciclo de ensino, a capacidade de concentração, as matérias em estudo, a existência de dificuldades e, principalmente, a qualidade do trabalho realizado fazem toda a diferença.
Por isso, antes de acrescentar mais uma hora à rotina do seu filho, questione: como está ele a utilizar o tempo que já dedica ao estudo e quais as rotinas de estudo?
Mais tempo de estudo significa melhores resultados?
Seria bom se assim fosse!
Uma criança pode estar uma hora diante dos livros e passar grande parte desse período distraída, a reler conteúdos sem os compreender ou a insistir numa tarefa que não consegue resolver.
Outra poderá trabalhar durante períodos mais curtos, mas com objetivos definidos, concentração e pausas adequadas.
Neste segundo caso, é provável que exista uma utilização mais eficiente do tempo.
Quando os resultados não correspondem ao esforço, aumentar automaticamente o número de horas pode até agravar o problema. Mais tempo aplicado a um método pouco eficaz continua a ser um método pouco eficaz! Para contrariar isso pode ser importante ler também o nosso artigo de como contrariar a preguiça nos trabalhos de casa.
Depois importa mesmo perceber o que está a acontecer.
Quanto tempo deve estudar uma criança do 1.º ciclo?
Nos primeiros anos de escolaridade, estudar não deve significar passar longos períodos sentado a uma secretária.
Nesta fase, estão ainda a desenvolver-se competências fundamentais como atenção, autonomia, organização e capacidade para criar rotinas.
Mais importante do que estabelecer uma sessão longa é promover momentos curtos, consistentes e adequados à capacidade de concentração da criança.
Rever algo aprendido nesse dia, realizar uma tarefa, ler ou preparar o material para o dia seguinte pode fazer parte dessa rotina.
Se uma criança pequena precisa sistematicamente de períodos muito prolongados para terminar os trabalhos ou compreender conteúdos básicos, a primeira reação não deve ser aumentar o tempo de estudo.
Convém perceber por que razão está a demorar tanto.
E no 2.º ciclo? Quanto tempo deve uma criança estudar por dia?
A passagem para o 2.º ciclo traz novas exigências.
Existem mais disciplinas, professores diferentes e uma necessidade crescente de gerir materiais, trabalhos e avaliações.
É também nesta fase que alguns pais começam a sentir que precisam de recordar constantemente ao filho que tem de estudar.
Em vez de transformar essa situação numa negociação diária sobre minutos ou horas, pode ser mais eficaz começar a desenvolver uma rotina previsível.
O aluno deve progressivamente aprender a identificar o que tem para fazer, qual é a prioridade e quanto tempo necessita para cada tarefa.
A autonomia começa precisamente aqui: não em estudar sozinho a qualquer custo, mas em aprender gradualmente a gerir o próprio trabalho.
No 3.º ciclo, estudar mais ou estudar melhor?
À medida que aumenta a complexidade das matérias, aumenta também a tentação de medir o esforço pelo número de horas.
Mas um aluno do 3.º ciclo pode passar uma tarde inteira a “estudar” e chegar ao final sem conseguir explicar aquilo que acabou de rever.
É nesta fase que a qualidade do método ganha ainda mais importância.
Há conteúdos que exigem exercícios, outros que beneficiam de esquemas ou sínteses e outros que precisam de ser explicados por palavras próprias para confirmar que foram realmente compreendidos.
O tempo necessário depende, por isso, da tarefa e do domínio que o aluno já tem sobre a matéria.
Uma dificuldade específica em Português não se resolve necessariamente com o mesmo tipo de trabalho utilizado para preparar Matemética, História ou Ciências.
E no ensino secundário? Quais os melhores hábitos de estudo?
No secundário, o volume e a profundidade dos conteúdos aumentam e o aluno deverá assumir progressivamente maior responsabilidade pela organização do estudo.
Isso não significa estudar continuamente durante várias horas.
Significa conseguir planear com antecedência, distribuir o trabalho, identificar prioridades e evitar que toda a preparação fique concentrada nos dias anteriores a um teste ou exames nacionais.
Quando existe um objetivo académico mais exigente, a regularidade torna-se particularmente importante.
Estudar de forma consistente ao longo da semana tende a ser mais eficaz do que alternar dias sem qualquer preparação com sessões intensivas antes das avaliações.
Como perceber se a rotina está a funcionar?
Uma boa rotina de estudo não se mede apenas pela duração. Existem outros sinais importantes que deve considerar.
- O aluno começa as tarefas com menos resistência?
- Consegue organizar aquilo que tem para fazer?
- Recorda conteúdos trabalhados anteriormente? Identifica dúvidas com maior facilidade?
- Precisa de menos intervenção dos pais?
- Sente-se progressivamente mais seguro perante as avaliações?
- Se estas mudanças começam a acontecer, o estudo está a produzir algo mais importante do que simplesmente cumprir determinado número de minutos: está a desenvolver competências e autonomia. Quando, pelo contrário, estudar continua a significar conflito, exaustão, dependência constante ou ausência de progresso, poderá ser necessário rever a estratégia.
Então, quantos minutos deve o meu filho estudar?
Não existe um número universal que funcione para todas as crianças e jovens do mesmo ciclo de ensino.
O tempo deve ser ajustado à idade, carga escolar, objetivos, capacidade de concentração e necessidades concretas do aluno.
Mais importante do que perguntar “quantas horas estudaste hoje?” poderá ser perguntar: “O que conseguiste aprender hoje?”
Esta pequena mudança de paradigma ajuda a deslocar a atenção da quantidade para a qualidade.
O objetivo não é formar alunos capazes de permanecer muitas horas à secretária. É ajudá-los a aprender a organizar-se, compreender, consolidar conhecimentos e tornar-se progressivamente mais autónomos.
Na Academia + Sabedoria, em Viana do Castelo, o acompanhamento ao estudo procura precisamente respeitar as necessidades e o ritmo de cada aluno, ajudando-o a desenvolver métodos e hábitos ajustados ao seu percurso escolar.
Se o seu filho passa demasiado tempo a estudar sem conseguir os resultados esperados, talvez a questão não seja acrescentar mais horas. Chegou o momento de perceber o que está a impedir que esse tempo se transforme verdadeiramente em aprendizagem.



