Entenda como estudar mudou tanto
É pai, mãe ou educador? Já chegou a casa depois de um dia cansativo e encontrou o seu filho/educando em frente ao caderno, com o lápis na mão e um suspiro de desespero, com aqueles olhos que não enganam e demonstram preguiça nos trabalhos de casa?
“Não percebo nada disto.”
“Não me apetece.”
“É muito difícil.”
Se estas frases lhe soam familiares, saiba que não está sozinho. Muitos pais em Portugal sentem-se perdidos entre a vontade de ajudar e a frustração de não compreender o modo como hoje se ensina.
O que antes parecia simples e ao alcance de qualquer encarregado de educação, como ensinar a “fazer as contas de dividir”, hoje vem envolto em métodos diferentes, novas terminologias e uma avalanche de fichas, plataformas e avaliações contínuas.
Posto isto a pergunta que se impõem: será que se preguiça, seja das crianças, seja dos educadores? Ou será resistência a um sistema de aprendizagem que mudou mais do que imaginamos?
A dor silenciosa dos educadores: “Quero ajudar, mas não sei como”
No nosso centro de estudos em Viana do Castelo, ouvimos isto quase todos os dias:
“Eu quero ajudar o meu filho, mas já não percebo os métodos da escola.”
“As contas não se fazem como antigamente!”
E é verdade. O ensino português evoluiu, mas nem sempre os pais foram acompanhando essas mudanças.
Entre 1990 e 2020, o ponto central do estudo mudou: passou-se da memorização e repetição para a compreensão, autonomia e pensamento crítico.
Para muitos adultos que aprenderam de forma mais tradicional, os novos métodos podem parecer confusos. Mas para as crianças, a adaptação também é difícil, e a frustração, inevitavelmente, aumenta em casa, atingindo toda a família.
Principais mudanças nos métodos de ensino: antes e agora
- Aspeto
- Método de ensino
- Matemática
- Trabalhos de casa
- Avaliação
- Relação professor/Aluno
- Papel dos educadores
- 1990
- Repetição e cópia
- Contas de dividir mecânicas
- Exercícios longos/repetitivos
- Escritas e notas numéricas
- Vertical/centrada no professor
- Controladores da execução
- 2020
- Aprendizagem ativa
- Decompor/estratégia visual
- Tarefas curtas e diversificadas
- Contínua e projetos
- Colaborativa/participativa
- Fazem parte do processo
Estas mudanças trouxeram benefícios evidentes, mas também criaram um desfasamento geracional. Muitos educadores sentem-se inseguros, e os filhos, por sua vez, sentem-se pressionados por não conseguirem corresponder às expectativas.
O que está por trás da preguiça nos trabalhos de casa
Segundo dados do Conselho Nacional de Educação (CNE), cerca de 27% dos alunos do 2.º ciclo referem sentir falta de motivação para estudar regularmente, e um em cada cinco pais admite não compreender os métodos de ensino atuais.
A “preguiça” é, muitas vezes, uma reação emocional à sobrecarga, à falta de método e à sensação de incapacidade.
O cérebro infantil funciona por padrões de recompensa: quando a criança sente que o esforço é inútil, tende a evitar a tarefa.
Por isso, mais do que exigir resultados, é essencial ensinar o processo, incentivar à autonomia, e valorizar cada pequeno progresso.
Estratégias práticas para combater a falta de vontade para estudar
- Divida as tarefas em blocos curtos: O cérebro aprende melhor em períodos de foco de 20 a 25 minutos. Crie micro-metas: “Hoje só fazemos os dois primeiros exercícios.” Aumente a motivação.
- Crie pausas ativas: Após cada bloco, faça uma pequena pausa para respirar, alongar ou beber água. A fadiga mental é uma das maiores causas de resistência ao estudo.
- Valorize o esforço, não apenas o resultado: Um elogio como “gostei da forma como tentaste resolver” é mais eficaz do que “és inteligente”. Isso desenvolve autoconfiança e persistência.
- Mantenha um ambiente de estudo estável: Sem televisão, sem telemóvel, e com uma mesa organizada. O ambiente influencia diretamente o comportamento.
- Envolva o seu filho nas metas: Pergunte: “Quanto tempo achas que conseguimos estudar hoje?”. Desafios e responsabilidade andam de mãos dadas e são aliados no que toca à falta de vontade de estudar.
A estudar também se aprende
A preguiça raramente é falta de vontade, mas sim é falta de método, motivação e segurança.
O mundo mudou, os métodos também, e é natural que os educadores se sintam perdidos.
Mas com empatia, estratégias certas e, se necessário, apoio profissional, o estudo pode voltar a ser um momento de crescimento e tranquilidade em família.
Se nenhum destes conselhos resultar e se a rotina se transforma numa luta diária, procure um parceiro educativo de confiança como a Academia +Sabedoria.
Um centro de estudos é o parceiro certo para ensinar métodos, estruturar o estudo e devolver às crianças o prazer de aprender.



