Há 51 anos a escola portuguesa viveu uma transição sem precedentes, quando as portas se abriram, à liberdade. Depois do 25 de Abril de 1974 as novas tecnologias na escola começaram, gradualmente, a ser uma realidade.

A mudança foi lenta. Durante muito tempo, nas salas de aula, o giz ainda reinava, os cadernos eram pautados a régua e esquadro, e a autoridade do professor não se discutia. As crianças aprendiam por repetição, muitas vezes em silêncio, e o conhecimento era algo a memorizar, não a compreender.

Chegamos a 2025 com uma realidade totalmente diferente:

  • Os quadros brancos ou de ardósia deram lugar aos quadros digitais;
  • Os manuais coexistem com plataformas educativas online;
  • O ensino já não se faz apenas de palavras ditadas.

Com o Orçamento de Estado (OE) de 2025 a escola pública prepara-se para dar mais um salto rumo à digitalização do sistema educativo português.

Neste artigo de blog vai poder perceber o que mudou em pouco mais de cinquenta anos e como as novas tecnologias são uma realidade incontornável hoje em dia. Não esquecendo de alterar para os perigos da nova era digital.

Orçamento de Estado destina milhões à digitalização das escolas

Para este ano de 2025 estão previstos mais de 80 milhões de euros para garantir que todas as escolas públicas tenham acesso à internet de alta velocidade, e outros 82 milhões para modernizar e criar recursos educativos digitais.

Com esta aposta o Governo Português procura não só enriquecer as práticas pedagógicas, como também promover a igualdade de acesso ao conhecimento, independentemente da localização geográfica ou da situação socioeconómica dos alunos.

A estes valores junta-se ainda um investimento adicional de 7 milhões de euros para a digitalização das provas de avaliação externa, como os exames nacionais, uma medida que visa modernizar os próprios instrumentos de avaliação e agilizar os processos internos do sistema educativo.

O que se apagou com o tempo? Principais mudanças n sistema educativo

Posto isto podemos afirmar que esta transformação não é apenas uma questão de números. É uma mudança estrutural que se sente na forma como os alunos interagem com o saber.

  • Os conteúdos passaram a ser mais visuais, interativos e adaptáveis.
  • O aluno já não está apenas sentado a ouvir: participa, investiga, experimenta, propõe.
  • A tecnologia trouxe motivação, criatividade e, em muitos casos, uma maior autonomia na aprendizagem.

Também os professores se reinventaram, com muito esforço, para estarem à altura desta nova era!

Atualmente acerca do professor podemos dizer que:

  • Tornou-se verdadeiro gestor de plataformas digitais.
  • Designer de conteúdos interativos.
  • Facilitador de aprendizagens mais dinâmicas e colaborativas.
Neste artigo de blog vai poder perceber o que mudou em pouco mais de cinquenta anos e como as novas tecnologias nas escolas.

Desigualdades atrasam democratização do acesso às novas tecnologias

No entanto, este cenário apresenta inúmeros desafios, pois a tão falada democratização do acesso à tecnologia ainda não é uma realidade para todos.

A verdade é que existem alunos que continuam sem dispositivos adequados em casa, ou sem ligação estável à internet. A chamada “desigualdade digital” persiste, e se não for combatida pode até agravar as assimetrias educativas já existentes.

Por outro lado, o excesso de dependência de ecrãs levanta questões pedagógicas, em áreas críticas como a saúde.

À procura do equilíbrio entre a educação tradicional e a introdução das novas tecnologias

A verdade é que nem tudo se deve digitalizar. A escrita manual, o contacto direto com o papel, a leitura prolongada de um livro físico, continuam a ser insubstituíveis em muitas dimensões do desenvolvimento cognitivo e emocional dos jovens. A tecnologia deve ser uma aliada, não uma substituta.

3 desafios à adoção das novas tecnologias nas escolas

A formação contínua dos professores é também uma das grandes batalhas desta revolução digital. Não basta entregar computadores e instalar redes Wi-Fi. É necessário preparar os docentes para tirar partido das ferramentas disponíveis, com visão pedagógica e espírito crítico.

Ou seja, o entusiasmo inicial com as novas plataformas não pode ser confundido com eficácia educativa. A tecnologia só faz sentido se servir objetivos claros e bem definidos.

Além disso, a proteção de dados e a cibersegurança têm ganho cada vez mais relevo. À medida que mais informação pessoal e académica circula online, é imperativo garantir que os dados dos alunos e professores estão seguros e que existem regras claras para o seu uso.

Portugal caminha para uma escola mais moderna, mais inclusiva e mais preparada para os desafios do século XXI. A diferença entre a escola pós-25 de Abril e a escola atual é gritante, e não apenas nos recursos.

A forma como se ensina, se aprende e se vive a escola mudou radicalmente. E isso, em grande parte, deve-se à tecnologia, quando bem integrada no processo educativo.

Acreditando que é necessário um equilíbrio para manter a qualidade do ensino, no nosso centro de estudos em Viana do Castelo procuramos que a nova educação personalizada, mais humana, mais criativa e mais justa, instruindo para o uso responsável das novas tecnologias ao serviço da educação.

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