Com o novo ano letivo a aproximar-se, o peso das mochilas escolares é um assunto que ganha relevância para os encarregados de educação. De facto, as consequências negativas do peso excessivo têm repercussões a curto, médio e longo prazo em crianças em idade escolar.
Neste artigo vamos abordar o peso das mochilas recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), consequências e possíveis ações a adotar para reduzir o peso das mochilas.
Qual o peso das mochilas recomendado?
A Organização Mundial da Saúde deixa recomendações bem claras quanto a este assunto. As crianças e jovens em idade escolar, dos 6 aos 18 anos, devem carregar mochilas com menos de 10% do seu peso corporal.
O uso de um peso superior terá implicações negativas para a saúde.
Imaginando o caso de uma criança que pese 20kg, o peso da mochila não deve exceder os 2 quilos.
Apesar disso, o mesmo organismo alerta que, mais de metade das crianças em idade escolar (dos seis aos 18 anos), transportam mochilas com excesso de peso.
Vários estudam mostram ainda que, nove em cada dez alunos, carregam mochilas que pesam mais do que 10% do seu peso corporal pelo menos uma vez por semana. Em Portugal muitas crianças transportam mochilas que chegam a pesar até 20% do seu peso corporal.
Que problemas de saúde podem estar associados?
Devido ao excesso de peso das mochilas podem aparecer alguns problemas físicos tais como:
- Dores de costas e pescoço, que levam a postura incorreta e têm como resultado dores crónicas;
- Desvios posturais, nomeadamente escoliose e hiperlordose;
- Problemas musculares e articulares, devido ao excesso de tensão nos músculos e articulações que prejudicam o desenvolvimento físico.

Alunos com baixo peso e menor estatura estão mais vulneráveis
A verdade é que uma mochila com peso considerado moderado pode agravar estes problemas em alunos mais magros e mais baixos, comparativamente com colegas com maior peso e estatura.
Tal acontece porque existem algumas diferenças significativas. Os alunos com baixo peso e menor estatura:
- Suportam maior proporção de peso
- Têm maior risco de problemas posturais e lesões
- Apresentam o desenvolvimento físico comprometido
- Podem ver comprometido o desempenho académico e bem-estar
Ações para combater o peso das mochilas desadequado
Existem várias petições contra o peso excessivo das mochilas e foi neste sentido que o Governo Português aprovou, já em 2017, um projeto de resolução que continha 11 medidas. Entre os aspetos mais relevantes podemos destacar*:
- a ponderação de um mecanismo de certificação das mochilas;
- ações formativas para esclarecer os alunos da forma mais adequada para organizar e transportar a mochila;
- a implementação de salas fixas para cada turma de modo a evitar que as crianças tenham de carregar as mochilas durante os intervalos letivos;
- a disponibilização de cacifos;
- a possibilidade de os livros serem produzidos com um papel com uma gramagem mais leve;
- a utilização gradual de recursos digitais.
Medidas práticas para prevenir o excesso de peso das mochilas escolares
No dia a dia podem ser tomadas algumas ações para atenuar os impactos negativos do excesso de peso das mochilas. Os encarregados de educação têm um papel importante para evitar que haja consequências negativas para as crianças e adolescentes a curto, médio e longo prazo.
Antes de iniciar este novo ano letivo tenha em consideração:
- Escolher a mochila adequada: com alças largas e acolchoadas e com suporte lombar para distribuir o peso de forma mais uniforme.
- Ajude a organizar a mochila de forma adequada. Ensine o seu educando a fazê-lo de forma eficiente, levando apenas o essencial.
- Incentivar o uso de armários ou cacifos. Os alunos devem ser instruídos a deixar nestes espaços os materiais que não são necessários para o dia inteiro.
- Privilegiar material escolar leve. Materiais de menor peso e recursos digitais podem fazer diferença significativa no peso.
- Adotar postura correta. Recorde o seu educando que a mochila deve ser carregada corretamente, com alças sobre os dois ombros, para prevenir problemas posturais.
Remédio para cuidar das costas do mais novos
As dores lombares afetam muitas crianças e jovens em Portugal devido ao excesso de peso das mochilas que transportam.
Nestas idades, de pleno desenvolvimento da estrutura músculo-esquelética, é possível agir para evitar problemas crónicos no futuro.
A luta dos encarregados de educação deve ser travada assim noutra frente, contra o sedentarismo.
As recomendações da Direção-Geral da Saúde para um estilo de vida saudável indicam uma média de 60 minutos diários de exercício físico, complementado com um limite de tempo para o comportamento sedentário (por exemplo uso de ecrãs).**
A prática de exercício físico ajuda a prevenir a obesidade, fortalece os ossos e os músculos, potenciando à adoção de uma postura correta.
Essencialmente, trata-se de garantir aos mais novos um estilo de vida mais ativo e saudável, uma das prioridades do nosso Centro de Estudos que procura, para os nossos alunos, o desenvolvimento harmonioso, educativo e físico.
Como educador terá um papel importante no ensino e promoção de hábitos saudáveis do seu educando. Comece a preparar o regresso às aulas, compre a mochila e o material adequados e não deixe para segundo plano conversar com o seu educando sobre a adoção de práticas que podem evitar dores de costas e patologias músculo-esquelética no futuro.
Fontes:
* O peso das mochilas (sns24.gov.pt)
** Para crescer saudáveis, as crianças têm de passar menos tempo sentadas e brincar mais – OMS



